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História de Goa

Em 1949 o governo de Nehru enviou uma missão a Lisboa para negociar com o governo português sobre a retirada de Goa. Para surpresa de Nehru, o governo português recusou-se mesmo a discutir o assunto, quanto mais a questão. Em 1953, a missão indiana foi fechada e as relações diplomáticas entre os governos foram conduzidas através de intermediários.

O ditador português Salazar defendeu a sua posição num discurso apresentado à Assembleia Nacional Portuguesa em 30 de Novembro de 1954. Ele disse: “A extensão da soberania indiana para incluir Goa não é uma perspectiva aberta por, ou uma antecipação da evolução da história; é um objectivo político que os actuais líderes indianos supõem ser seu dever alcançar para cumprir a sua missão… São sempre os factos históricos, e não o esboço geográfico, que fixam fronteiras, instituem direitos e impõem soberanias….Para a União Indiana, reivindicar virar o relógio da história de volta ao século XV, avançar agora e fazer ver que ela já existia potencialmente naquela época, ou se estabelecer como herdeira legítima daqueles que encontramos dominando ali, é uma fantasia de sonhadores estáticos; não é para os modeladores dinâmicos da história que os homens que receberam um império da Inglaterra querem ser”.

O Primeiro Ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, a 26 de Julho de 1955, num discurso no Parlamento indiano, o Lok Sabha, disse: “Embora não exija que nada seja dito em justificação da nossa reivindicação a Goa, aventurar-me-ei, no entanto, a mencionar alguns factos… Há, claro, o argumento geográfico. O Governo português afirma que Goa é uma parte de Portugal. Essa observação é tão ilógica e absurda que é bastante difícil lidar com…. Não tem qualquer relação com factos…Não vou entrar na velha história da posse portuguesa de Goa; mas penso que muitos membros recordarão que esta história é um capítulo muito sombrio da história da Índia”.

A poucas semanas depois, a 17 de Setembro de 1955, Nehru disse: “Em Goa, temos um quadro notável do século XVI face ao século XX, de um colonialismo decadente face a uma Ásia ressurgente, de uma Índia livre e independente a ser ofendida e insultada pelas autoridades portuguesas, de facto, de Portugal a funcionar de uma forma que, para qualquer pessoa que pense, é tão surpreendente na sua incongruência no mundo moderno que é um pouco surpreendido”.

O Congresso Nacional (Goa) que já funcionava em Goa iniciou as suas operações em Bombaim; os outros partidos formados foram o Azad Gomantak Dal, a Frente Unida dos Goans, o Conselho de Libertação de Goa, o Partido do Povo Goan, a Organização Quit Goa, etc. O Congresso Nacional assim como o Conselho de Libertação acreditavam na não-violência enquanto o Dal Azad Gomantak se comprometia a combater o regime por qualquer meio, incluindo o uso de armas. Começou a atacar as tropas portuguesas que guardavam as fronteiras, fazendo explodir as lixeiras de munições e esquadras de polícia. Entretanto o Governo português começou a armar-se, com concentrações de tropas em Goa e parecia estar pronto a declarar guerra à Índia. O Ditador português Salazar recusou-se a negociar com a Índia.

Prelúdio à Libertação – o aviso desatento de Nehru – O Governo da Índia manteve um perfil baixo até 1961. Em Outubro de 1961, foi realizado um seminário em Nova Deli sobre o “Colonialismo Português”. O seminário contou com a presença de representantes de todo o mundo e também das colónias portuguesas existentes em todo o mundo. Isto foi relatado como tendo trazido uma mudança no pensamento de Jawaharlal Nehru sobre o assunto que até então era “através de negociação pacífica”. Após a conclusão do seminário, ele terá feito uma declaração pública em Bombaim, ele disse: “Temos que pensar de novo agora por causa dos acontecimentos em Goa, particularmente nos últimos meses, casos de tortura chegaram ao nosso conhecimento e o terror que é espalhado lá pelos portugueses”. Quando digo “de novo”, quero dizer que fomos forçados a pensar de novo pelos portugueses para adoptar outros meios para resolver este problema. Quando e como o fazemos não se pode prever agora. Mas não tenho dúvidas de que Goa em breve será livre”. Este aviso foi ignorado pelos portugueses e Salazar e os acontecimentos subsequentes mudaram para sempre a história de Goan.

Liberação – Finalmente após 450 anos – Em 17 de Dezembro de 1961 o Primeiro Ministro indiano Jawaharlal Nehru ordenou a invasão militar e a libertação de Goa. Um exército português de 3.000 tropas mal equipadas foi ultrapassado por 30.000 soldados indianos, apoiados pela força aérea e marinha indiana. O governador-general português Vassalo da Silva rendeu-se.

O último governador-general português Vassalo da Silva – Em três dias Goa foi integrado na Índia numa operação quase sem derramamento de sangue – “Operação Vijay” em 19 de Dezembro de 1961. Os outros territórios portugueses de Daman e Diu também foram tomados por volta da mesma altura e assim foi formado o “território da União de Goa, Daman e Diu”. O 19 de Dezembro é comemorado como o Dia da Libertação de Goa.

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